Category Archives: Crônica

O devorador de livros

Nem duas batidas na porta, e lá se vai alguém entrando. Porque assim o são com um filho as ocasiões de visita à casa dos pais, depois de crescido, emancipado e até

O homem que não sabia seu nome

A fila se estendia por poucos metros, mas o suficiente para dizer-se dela que era longa. Encontrava-se à vez um homem de média estatura. Suas pernas vestiam calça negra de linho; seu

Diário lúcido de uma alma embriagada

Sento-me aqui para escrever o relato mais sincero possível. Irei esclarecer todas as partes ocultas pela neblina da negligência. E trago-me como personagem fictício, senão humano. Comecemos, desse modo, pelos pudores vistos

Três em um, o paraíso das loiras

Debruçado na janela do quarto andar, negando o que ocorria abaixo de mim, abstraído pela bagunça das nuvens no céu, ouvi um barulho do térreo. A porta de madeira de um dos

Se meu pensamento falasse

Resolvi, de súbito, escrever tudo, aqui, o que não poderia viver de outra forma. Eis que tal vislumbre, ou se diria pensamento, veio-me inquieto enquanto minhas pálpebras não se fechavam. Alguns chamariam

Bom dia: mais do mesmo!

Quando o tédio lhe der bom dia, cuidado, pode ser que ele já tenha dormindo com você. Os raios de sol irão cantar a mesma canção, juntamente aos gestos que se repetem

Elogio à embriaguez

Sejamos estritamente sinceros. Digo isso como uma máxima a mim mesmo, e em prol de preservar um hábito que muito me agrada. A bebida, em si, elemento de destruição de lares, encontrará

Um dia de sorte, para Murphy

Sempre saio de casa às oito horas matutinas e, via de regra, estendo no varal as roupas à noite. Naquela manhã, porém, atrasei-me em minutos preciosos porque não estendera as roupas na

Escapada de mestre

Contarei a história deste mancebo. Um garoto jovem de poucas intenções. Não, retifico-me a tempo. Muitos eram os objetivos daquele ser jovem. No entanto, trazidas as máculas da juventude, bem se sabe

O não já se tem, mosqueteiro

Havia uma atmosfera densa caindo sobre os ombros dos presentes. Alguns por isso andavam agachados. Outros, mais imponentes, ou curiosos sobre a condição alheia, erguiam as sobrancelhas. Admirados, tão logo viam outrem,

É de couro ou de carmuça?

Havia muita gente em meu entorno. No entanto, já camuflado em meio à selva ambiente, a música alta que rebatia os tímpanos, a iluminação intencionalmente fraca que dilatava as pupilas, a lata

A vida com ela é

Como de costume, voltava do laboratório a pé, confabulando comigo mesmo sobre as ponderações da vida. Em especial, nesse dia, econtrava-me meio triste, preocupado com o mestrado, carreira, trabalho, entre outros assuntos

E assim ocorreu na noite anterior

Os dois amigos se encontraram, não por acaso, moravam ambos próximos um do outro, e principiaram a conversa. Nisso, a luz da lua aumentava seu furor, à medida que descria o sol

Na república parto forçado

Três firmes batidas na porta ressoaram por todo o quarto. Deitado na cama, com o lençol amarrotado em um canto do colchão, abri os olhos. Não conseguia me mexer. A ressaca consumia

Para onde você foi?

Triste a tarefa de perder uma mulher. Você ainda nem a ganhou, e lá se vai ela pelos ares; não está mais com você; evaporou-se. De qualquer maneira, ela foi substancial. Durou

Quando os gatos saem, os ratos fazem a festa

Entre os diversos assuntos importantes da humanidade a serem abordados, eis que me ocorre um neste preciso momento. E sobre ele não escrevo como uma causa perdida pela ONU, ou tal qual

Um brinde a simplicidade!

Eu sempre achei curioso darmos tanta importância a uma mudança no calendário, que o diga os Maias. De todo modo, deixando de lado a racionalidade chata, ignorando que essas datas geralmente são

Sente-se, por favor

O texto é como uma cadeira; deve ser bem sustentado, por quatro pernas; necessita ser belo, de beleza que incite bom projeto; precisa, também, ter bom estofamento, pelo obséquio do conforto daquele

Risco sem petisco

A vida não se propaga da mesma maneira para todos. Eis que há uma divergência quanto à felicidade e à tristeza de cada espécime humano. Distanciando-se das teorias extraídas de livros de

A revolução dos personagens

A crônica abaixo faz menção a outros dois textos, nomeadamente o conto A imolação síria e a crônica Gabriela; além disso, o autor adverte que seu intuito foi tirar sarro de si

Em terra de surdo, quem tem dois olhos é curioso

Meus cotovelos apoiavam-se no beiral da janela do quarto. No quarto andar, e na altura da mesma janela onde me debruçava, meus olhos ardiam em curiosidade. Observavam atentamente à conversação na portaria.

Jogo dos três erros

Assim que a noite caiu, resolvi sair. A vida que sobrevém do inusitado é muito mais interessante que as outras, aquelas advindas do planejamento. Quando se é sistemático, pende-se mais ao destino,

Gabriela

Eis que, em um sábado de Setembro, eu acordara mais tarde que de costume. Às quatro da tarde, meus poros ainda exalavam o álcool da noite anterior. De qualquer forma, atormentado ou

Quântica é mato

Alguns dias atrás entrei no ônibus para ir ao dentista. O dia estava lindo, quase nenhuma nuvem no céu. Tudo encaminhava-se muitíssimo bem, até eu sentar ao lado de um moça, que

Estória em primeira pessoa de um só parágrafo

As palavras são a única coisa sobre a qual detenho as rédeas. Depois de um tempo de envolvimento com as formas palavreadas, fiz escritas limitadas pela infinitude da criatividade. A gramática se

Sr. Tempo

Senhor Tempo, como vai? Já há alguns anos gostaria de lhe escrever. Inúmeros são os assuntos que preciso tratar com o senhor. Em primeira instância, gostaria de desafiá-lo a correr com menos

Roda a roda universitária

Reunidos em um câmara secreta, instalada no subterrâneo do prédio da reitoria, encontravam-se três homens decisores. O primeiro deles era a Vossa Magnificência, o reitor. O segundo, presidente do sindicato do servidores

Dupla sacanagem

Malditas setenta e duas horas. Esse era o prazo máximo, determinado pela comunidade médica, para que o remédio tivesse sua eficácia garantida. Hora desgraçada em que aquela camisinha foi estourar. Trinta minutos

O poliglota

Faltavam cinco minutos para que Ramsés fosse atendido. Um pouco inquieto, aturdido pelo ponteiro de seu relógio de pulso, mantinha sincronia entre um discurso ensaiado e seu dedo indicador, cuja ponta tocava

Paul, Paul, Paul…

Êxtase talvez seja a palavra. Como é possível um ser humano, como qualquer outro, concentrar tanta energia de vida? Ao som de Hey Jude pude notar, como bem observado por um amigo,

Bartimeo e a noite

À noite as casas são mais sinceras. É fácil ser belo quando o sol vem ressaltar todas cores, todos os contornos. Numa dessas noites longas eu vagava pelas ruas, desembestado, sem destino

Relação pingue-pongue

Desde muito pequeno, fui submetido às rebatidas de opinião ou posicionamento entre meus dois pais. Abrindo um parêntese, pergunta-se: numa partida clássica de jogo de pingue-pongue, qual seria o número de jogadores?

Uma medida provisória e tanto

Mal era possível ouvir o que o presidente da Câmara falava pelo microfone. A própria releitura da Torre de Babel estava acontecendo em tempos modernos, ou contemporâneos, como queira o leitor. Ninguém

Sábado de sol

Sábado. Dia de sol ensolarado. Fatídico dia de sábado de sol. Logo no portão do condomínio, com o porta-malas do carro aberto, o casal procurava acomodar no veículo tudo o que era

Vida de cão

Temos vivido numa sociedade canina. Por certo que o estresse cotidiano, às vezes, teima em trazer á tona as palavras “vida de cão”. Todavia, cabe, aqui, ser ressaltada a necessidade de expansão

Relatividade Clássica

O trem estava parado na estação. Normalmente, a linha Viena/Zurich, nas tardes de sexta-feira, costumava trafegar bastante cheia. Sentado no terceiro vagão, três fileiras atrás da porta de entrada, estava Albert. Repousado

Uma quase saída de mestre

Às duas horas da madrugada, ainda era possível observar movimento no barzinho Alameda das Peripécias. De forma irregular, as pessoas distribuíam-se, alegremente intermediadas pelo álcool, pelas mesas do local. Próximo às mesas

O Envelope

Frederico esfregava compulsoriamente as mãos na calça. Com intuito de secar o suor fruto de sua ansiedade e nervosismo. Menos falante do que os outros dias normais de aula, estava sentado na

De Relance

Declaro aqui, amparado pela lei nº tal, artigo algum, parágrafo qualquer, aberta a seção de crônicas do mais novo, porém não menos saudoso, www.palavreado.com.br. Em uma linha bastante diferente do último texto,