Category Archives: Poesia

O sinal

No espaço entre os carros interrompidos sob o semáforo, ou no interior dos passageiros o vermelho sinalizado, retumba a vida moderna com os coágulos do pretérito; porque independe ao homem livre tais leis

Doce veneno

Um doce veneno saliva-me de gota em gota, Nas manhãs úmidas em que precipita o tempo A injetar-me no crânio pingos de desespero, Com os quais fabrico o antídoto da escolha Em

XC – Soneto dos noventa dias

Sempre que estive morto, ao abrir os olhos, O precipício era o que me trazia esperança, À desaparecer todos os pesados desconsolos Que faziam cruzar as mãos de sua lembrança. Um mundo

Mal do Meu Século

Fora eu aos secos e molhados e solicitei: — Vendam-me um revólver e uma agulha… Atirei então em meu coração e sangrei. Desejava ver quanto sangue ele expurga, Pela ruptura da bala

De olhos cerrados

Na última vez que conversei com Fernando Pessoa, uma de suas pessoas enlouqueceu-me brandamente. E logo esqueci-me do que lia, interrompendo o passear dos olhos pelas linhas retilíneas; eis que voltaram-se-me para dentro

Vapor confinado

Não existem quaisquer sinais nas paredes atrás do fogão. Enquanto o acendo, numa das bocas cuidadosamente coloco uma panela com água. A única sinalização, principiada a fervura da água, é aquela trazida

Duas vezes

Não quero me apaixonar, Porque vi pássaros voando no céu. Eles voavam em círculos, Como se dominassem meu ar; Estipulavam-me ruidoso escarcéu, Atando-me belos, penosos vínculos. Não quero me apaixonar, Porque pássaros

Através do vidro

Não faria diferença alguma se fosse agora, amanhã, daqui dois anos ou cinco décadas. Porque hoje, ao ver através do vidro semi-embaçado, posso olhar para o céu pálido e fazê-lo viver ou sepultá-lo

Arquitetura dos elementos

Em suma cumplicidade ao vento, A areia tão só perfaz sua direção; Grão após grão, violenta, A pequenas pacientes rajadas, Em ameaça inútil aos meus olhos, Que irritam-se se eu os coço;

A ocupação

  Não se preocupem, pois escancarei as portas férreas dos hospitais a todos. Não se preocupem, porque do mesmo modo, passando acima dos homens seus códigos, fi-lo também trancafiar as autoridades com

Marcações perpétuas

Tatuei todos os seus segredos em minha pele, para que, em frente ao espelho, fossem eles refletidos como uma lembrança em carne viva que anseia surgir pelas manhãs e ser julgada antes

Servir-me fui, quando sentei, você não estava mais

  Vi-lhe num susto, assim, de abrupto, E na obra de arte fiz-lhe analogia; Como um entusiasta que a tela admira Sabendo que ali eterno é o segundo. Mas diante do quadro

Tédio com T

  São nestas sextas-feiras falidas, de chuva caída, Que se ainda entedia quem ao tédio imune diz ser. Queria então era sair à rua; ir ao freezer Da loja da esquina, apanhar

Colina abaixo

Juntem, todos, o que lhes cabe numa mochila, e me sigam colina abaixo — comigo ou não; Despreocupados com o que possam encontrar, ou que ou a quem as perguntas fazer, respostas

Meu mapa-múndi supera o do Google Maps

Mantenho, ao lado da janela aberta de madeira, já pelo tempo incansável apodrecida em seus cantos, um gigantesco mapa-múndi, apregoado à parede de cor indistinta. Desse modo, sempre que deposito meus olhos

Folhas ao vento (Leaves in the wind)

  Voe com o vento, na direção Em que as leis não podem direcionar, Porque a minha autoridade Em pensar que o que eu desejo, No meu sonho que ao seu lado

Por quem os corações dobram?

Meu coração não está fechado para balanço. Nem aberto como se despede o inverno para que venham falsas primaveras. Meu coração é simplesmente o mundo. Desse modo, ao andar pelas ruas da

Soneto àquela que passa

Não tivesse o homem criado a linguagem, Ainda assim seu pouco dum profundo todo Revelaria palavras que jamais se esvaem; Sua presença faz da minuta chama o fogo, Com o incêndio d’alma

Ostra feliz não faz pérola

As culpas queimam como ácido. Quais seriam, então, as justificativas alcalinas a lhes neutralizarem. Todos os sofrimentos buscam ter sua explicação na sua causa mais próxima. Isso é fato inevitável até aos

Olhos de Lis

Teus olhos de lis fizeram-me um aprendiz quero ar desses pulmões ah… diria Camões amor é fogo que arde… não tenho mais medo pois, minha arte transcende meus dedos que escrevem agora

Licença para voo

As nuvens choram fios de cristal Os lagos de meu peito se inundam Os meandros do que me é visceral São o que meus demônios estudam! Na esquina, um filósofo da cólera

Crepúsculo dos Ídolos

A estátua de mármore, mas com pés de argila, Para fronte aponta seu lábaro de falsa glória Ostentando o sangue que derramara na pista, Para que cravasse seus Ídolos, sua escória! Ó,

Entre cores e vidro

Cheguei atrasado no meu próprio enterro pois, quando beijei a morte na boca era outra boca que eu queria beijar como é triste perceber que esse mundo inteiro fadar-se-á à mentira do

Perto ou triste

Longe, longe, perto ou triste porque insiste e não desiste de sorrir sempre para mim Longe, longe, demais até mas, fui a pé e o seu José disse que a estrada não

Algoz de todos nós

Fujo das lágrimas tal qual o diabo da cruz sentimento que faz jus, ao meu porém contudo, faria tudo, não fosse o que não fazer banho-me em noite de lua perdida, sem

Soneto enferrujado

Se das milhares de praias pudesse ser eu tão apenas um grão de areia qual ser-me-ia a lembrança rasteira a encher-me o espírito e inundasse? Seria da memória relembrar burlesco que ao

Poema pintado

A única consciência que não pesa é aquela que não vive; O anteparo do quadro retratado seria a musa sempre presente ao pintor que ainda não faleceu? A concepção de tudo soa

Eterno incompleto

Eu com os olhos arregalados, ela com a privação de ver o que já não quero; Eu com minha boca chea de dentes, ela com a língua queimada, que não sente mais

Novelo cardíaco

Fiz-me, entre um abrir e piscar de olhos, um pretenso teórico e investigador. Elaborei uma teoria sobre a composição humana; mais precisamente sobre o coração dos homens. Menos um músculo cardíaco, dosado

Poetas não sobem pódios

  E se aqui não houvesse a competição Seriamos todos iguais uns aos outros À medida que exibimos outros colossos O pódio iria à falência, e não em vão Todos comporíamos os

A vida não imita a arte senão fazê-la

Arte não se faz. Surge. Portanto, firmado este pressuposto, florescer a arte é dar voz à paixão (latente e ardente que faz irromper o peito), de uma maneira ou outra associada à

Quando as fraquezas são qualidades

Por que o martírio da fraqueza, se ela existe em todos nós? Por que o enaltecimento da força, se de profundezas trevosas e sombrias muitos de nós nos levantamos. Existe um questionamento

O que Einstein nunca enunciou

Resolvi hoje testar as teorias físicas, algumas delas. Desafio primeiramente as ondas sonoras. Senti elas, agora mesmo, tão fracas. Repercutiam o som de corações alvoraçados, até o momento em que foram interrompidas

About the intersection between humans and ants

That’s alright, little ant. You can bite me and seek your next piece of sugar. There are no worries about your feelings of survival. Your antennas address the deep necessity of eat.

Heart skydiving

This blue sky seems to high but my wings are too large and by now I can tightly reach the white sun, the yellow moon and for you make them switch There

A vida é uma cascata

Imagino que muitos já tenham passado por isso: uma tempestade, logo após uma calmaria, em seguida uma fria brisa que faz lembrar os ventos forçosos que antes estremeciam. Sabe, há muita vida

As entrelinhas do Contrato

I. Das vozes frívolas as perguntas às quais tão só as suas respostas; faça-se disto uma moralista aposta e encontrar-se-ão ávidos jogadores a preencherem os largos corredores das casas de jogos da

Meu urro de ano velho, ou novo, tanto faz…

Palpita-me o coração diante dessas situações. Como se eu, por uma passividade incontrolável, pudesse enxergar nos abraços inusitados as mais incólumes reações. Recheado ao meu redor por tradições e vínculos convencionais que

Se meus olhos não fossem prismas

Passaram por mim duas dúzias de camelos. Vinte e três deles ostentavam suas alcovas, como se únicos fossem em meio ao deserto. Em seguida, percebendo aquele “camelo negro” dentre os outros, para

Desertores

Estive sentado à mesa da sociedade. Achavam-se ali muitos convivas sorridentes; outros ocultavam uma dolorosa angústia, ainda que igualmente ilustrassem os dentes. Enquanto se servia o banquete, alimentando, não democraticamente, poucas bocas

Um quase epitáfio

Tenho algumas coisas a dizer, antes que haja meu último suspiro. Não que eu esteja vislumbrando os olhos imediatos da morte. Contudo, resolvi me precaver, como teria feito Brás Cubas se em

Você tem um cigarro?

  A perplexidade da sua presença contunde, implacável, minha paciência; como o desconhecido teme o belo, e o artista acovarda os olhos, mas jamais o ímpeto árduo do, e por você súbito,

Meras variáveis

Houve lágrimas e medo no lugar do habitual sorriso. E o lindo rosto de outrora, agora noutro sentimento seco de abismo, debatia-se sobre solo tardio. Haveria literatura dessa forma? por certo que

Mesmo verde, verde mesmo

Verde não são os olhos, verde é a vida verde não é o mar, o som, a partida verde os sustenidos, não fossem negros verde seria eu, não fosse ingênuo verde seria

Os jardins jamais falecem

Os jardins etéreos repousam ao fundo no cenário traiçoeiro do verossímil; ainda que tente enganar-me o futuro entre quais flores far-me-ei visível Houve já muito grosso sangue jorrado pela ferida pelo acúleo

The man with sad eyes

Be opened the doors of perception, and my gods you be finally released. This finest man arrive at a desert. The sand is nothing but dust. And meanwhile his lips are very

Cores, são apenas cores

Quando a confusão sentir-se confusa de si mesma, então, poderíamos nós, talvez, esperar por um entendimento concreto de algo. Claro, não consideremos o fato de nos confundirmos com sentimentos e cores que

Como uma mula

Como uma mula, estou estancado no mesmo ponto. Se chutam-me o traseiro, não prossigo. Se dizem-me para ficar parado, bem, ali mesmo estático fico. Uma estaca da madeira mais podre perfura meu

Não deixamos de nascer

Por que o mar é sempre azul? por que o céu não tem cortinas? por que fugir do furacão? se nossas frases despendidas falam muito, sem nada a dizer Por que o

Condemned’s notebook

The flowers provide me with colors that I can’t see. These gardens are all overgrown of an inescapable sorrow. The final harvest is going to fail, unless I become the land in

Uma noite mal dormida

Cansei de chorar em verso e sorrir em prosa, de ficar evitando o gerúndio. Cansei de correr, andar, nadar, vadiar e cair nesta busca infinitiva pela melhor rima. Cansei de blablablás onomatopeios,

Desmatamento da vida

Suas florestas foram decapitadas; seus galhos em húmus se tornaram; dessas copas pela vida decepadas vindouras raízes se alimentaram Encham-se! corações equatoriais com lágrimas de rostos enrugados o pranto pela lisura do

Sua pintura, meu quadro

A pérola de seus olhos reluz forte e de minha parte, sou assim cegado se sinto sua presença ao meu lado, eis sua imagem a minha maior sorte Inspirações antigas, elas falharam

This is the end (Este é o fim)

Seus olhos estavam esbugalhados, umedecidos pela tristeza incólume, como são inevitáveis os rochedos em abismos, embora tal peso da vida fosse necessária pedra para atingir seu íntimo mais sólido, e mais doloroso.

Sobre as malditas jornadas

As mãos moviam-se ávidas, trêmulas, golpeando o ar de maneira drástica; este mímico assim punha sua máxima: vidas magníficas são vidas inteiras Não essas existências já sepultadas, em cuja lápide lê-se no

E se mergulhássemos nos olhares

Somos acostumados aos contatos superficiais. Fugimos das grandes profundidades, como se nas baixas altitudes nossos pulmões não pudessem expulsar o gás carbônico. Para respirar, portanto, faz-se manter as cabeças com as bocas

Quadros necessitam serem pintados

Seus cabelos são uma rica flora compondo florestas geográficas; eis a seiva que, em ti, vigora e flui em mim de forma drástica Flores murcharam às suas costas e um jardim faliu

Soneto às claras

Seus versos vestem-se doutra estética de uma brevidade íntima, mas profunda como se minha percepção fosse astuta por vestir-se agora com a sua dialética O flagelo do mártir é mais dolorido mas

Você é minha?

Apressado em ser egoísta, covarde fui, quis dissimular, desejei minha imagem, porém, em tempo de me retificar, encontrei seus olhos implacáveis. Olharam-me contundentes. Suas pálpebras, mais lindas que o piscar de qualquer

Quando os dias beijam os lábios das noites

As noites em geral são sombrias. Reservam em seu seio o leite mais negro do universo. Algumas vezes sinalizam solidão — como se observa pela baba, que escorre, do canto da boca,

Esses versos em prosa não são tristes

Imagine-se a vida como um novelo. Emaranhado num punhado de fios, lutamos contra os nós. Rebate-se, em contorção aguda, de todas as direções da emoção, para que se desentrelace esse impactante jeito

Sobre o umbigo humano

As linhas tênues dos lábios são cinzas; Como nuvens cirros que se pintam sem cor fazendo das dores sofrimentos em lágrimas Que decaem das alturas que não se alcança E nesta esperança

Um domingo ensolarado

Você pode se confortar; está permitido. Imagino que essa sensação, com nascente em nosso próprio impeto, pensamento, seja partilhada pelos meus compadres de espécie. Este Sol arde no rosto. Contudo, antes de

Uma declaração inútil

Você me é precoce, e como uma tosse me faz escarrar tudo de ruim em mim como se neste tempo eu até pudesse me redimir do anseio sobre meu fim Fios morenos

Tão seu

Um olhar, um sorriso, um jeito irreverência delicada, um feito seu, tão seu, sempre seu… quem dera, a mim fosse destinado tudo que é seu quem dera, menos distância talvez, menos ignorância

Seu momento favorito

Olhos que se parecem, e não perecem são assim as imagens de ambos vocês que estremecem os corações que vêm a sinceridade da fraternidade cortês A genética lhes trouxe a semelhança sentida

A conversão das lágrimas

Se seus olhos chorarem essas lágrimas terei fortes lástimas pelo nosso sofrer; se em seu rosto comerem minhas traças irão as feridas se fechar ou se torcer Assim, fazendo curador este meu

A flecha envenenada de Eros

A Paixão, furtiva e silenciosa ladra, veio toda voluptuosa àquele ser frágil; furou-lhe a flecha de Eros envenenada, revigorou-se o espírito antes deplorável. Entretido com a droga das amabilidades incapaz fora de

O discípulo de si mesmo

Ele não confabulava, ou conjecturava, ou vislumbrava como se consultados oráculos em que jaziam deuses gregos, sobre seu futuro. Diz-se que planejamento era algo apenas realizado, se fosse isso orquestrar o próprio

Meu trágico arbítrio

Andarei por outras trilhas nesta areia que não sejam feitas de pegadas outras afinal não foram estas minhas escolhas; tal arbítrio livre minha alma incendeia Em chamas posto meu espírito sob o

O joio e o trigo

Violeta não é margarida, mas são ambas flores, e nas floriculturas entretanto se encontrem arranjos com as duas pétalas de cor distante. Filosofias atenienses não são espartanas, como fica provado pelo colossal

Estrofes íntimos

Miro em seus olhos palácios perdidos dantes não encontrados por esta fera em que sou nestes corredores vívidos porque retumbam as paixões ferrenhas Dada a quimera desta vida implacável, queima-me por dentro

Na mansão dos vivos

Ao que construíam onde eu morar iria tive a ciência precoce de que não há construção eterna à qual lar chamaria; a lágrima do tempo faz tudo desmoronar Fundaram casas sagradas nos

Pelo que realmente somos

E se disséssemos o que realmente pensamos? Algo como a genuína expressão de nossos desejos. Desejoso de mim mesmo, pus-me a buscar a umidade da minha língua, para que meus ouvidos escutassem

Aos coveiros de carneiros

Malditas nuvens não se parecem jamais elas como uns carneiros, observo-as no alto, e elas tecem uma dança dúbia de movimentos O que igualmente assim se move? O olho irrequieto do coveiro

Por sobre o rio das angústias

A apatia que lhe reflete me traz, como vento indolente, rajada essa do ar que tenho e o quero lhe dar; há neste céu inúmeras atmosferas! Quem sabe sobre outras nuvens lhe

Sacrilégio existencial

Entre as divagações que ocupam a mente, não poucas, por sinal, ressaltam-se aquelas do espírito, ou da alma; ou, ainda melhor colocado até por aquele não versado em avançadas ciências morais, destaca-se

O sonho de Dalí

E se acordássemos tal vez e o mar vermelho estivesse, de certo um espelho, tipo mar avermelhado seria? E se o céu não tão alto fosse, as nuvens de verde algodão, sob

Almas fajutas também se justificam

Desde muito tempo não se viam. Suas visões não foram exercitadas, no passado recente, senão por imagens em suas lembranças; memórias que tinham cores e formatos, e eram conscientemente vivas; contudo, embora

Noturna

Quando me furtei logo percebi e num cordão de pura seda sem grafia escrevi umas palavras penduradas que sem nome, nomeei como um louco entregue a sorte ao fim da noite despertei

Da genuflexão dos meus e seus joelhos

Quando as lágrimas caem, ao atingir o solo, muitas vezes juntamente aos joelhos, regam elas até o mais árido dos terrenos. De uma forma antes não pensada, essas gotas salgadas de alma

Meu excerto de 17 de Agosto

Hoje não precisarei encontrar palavras; elas vieram-me já de encontro, de súbito, como as pessoas estimadas com as quais topei. Não foram trombões, nem ombros chocando-se como se não se conhecessem. Não.

Cá estou a esmo

De minhas angústias não tomas partida, e ainda bem que não o faz, afinal, cada qual com seus demônios e exorcismos. Hoje o espelho remeteu-me ao existencialismo. Uma crise? talvez. Liberalismo, autoritarismo,

Dos contatos inusitados, que até fazem aniversário

Nestas comemorações, incluso eu me deparo com sorrisos outros e não fossem meus, meus eles são já que dessas famílias tive véu a cobrir-me o olhar de criança adultos sendo os outros,

Feliz aniversário!

Fascina-me, por vezes, o olhar vão-se as primaveras, o tempo entretanto, o brilho dos olhos principalmente se há o que brilhar permanece firme e intenso uma doçura oriental alegrou-me e a noite,

Comum

O que é sempre belo, não é belo para sempre. E a ofuscada sensação de ter-se um elo, contrapõem-se com pouco, ser sincero, um erro condescendente. Os meus heróis não morreram de

Sonho meu tão seu

Sem cores outras, sonhava eu tão somente em preto e branco até que por um súbito encanto seu belo espectro me apareceu Talvez viesse-me sempre você ao meu repouso inconsciente, agitando-me de

Versos clorídricos

Ao solicitarem versos de pronto disse que não era esse meu ponto em rimar rapidamente uma farsa, para sorriso de pessoa desdentada. Não as conhecia, nem hoje quero senão rimar pelo seu

Erros perfeitos

Não tive sequer tempo de contar os sobrevoos aquém do meu céu, nos quais sequer havia permissão para com forasteiras asas planar Mas, falta de céu não poderia ser; talvez negro espaço

Como um comboio agonizante

O piche frio cobre o asfalto sobre o qual eis a cavalgar tropeiros num cubo metálico nos cotidianos de mal-estar Se rude inverno, que importa? Dedo trêmulo digita no celular palavras cálidas,

Se no purgatório, por que o inverno?

Trêmulas mãos gemem-me o bolso! Ah, em tais invernos propícios, empobreceram-nos ricos sonhos: frios demais para serem vividos! Voz amiga, sem quaisquer afonias, gritou-me horizontes muito seus, ou meus; eis tais jornadas

A cismada travessia

Sejam verdadeiras minhas palavras, e real e profunda minha literatura, tornar-me-ei vítima de mim mesmo; Eu assassino, que mata escrevendo. Retirai minha pele de rinoceronte e cubrai com ela quebradiça ponte em

Os dois lados da literatura

Em certo momento, sobre você tenho último nojo repugnância pior que fome sobretudo, asco afoito Serve-me este copo pobre com Chopp de lixo escroto sua benevolência mata e só cria nestes versos

Carta aos ignorantes de sangue coagulado

Não se trata, e jamais tratar-se-á disso um assunto pertinente, de lesões corporais. Portanto, passarão por nós muitas pessoas superficiais, suscitando lutas sequer com sentido. Sabem tais seres minoritários pouco sobre as

Poetas não vão para o céu II

Ouviu-se dizer que os poetas não vão para o céu. Talvez seja meu epitáfio, tamanha confusão dos questionamentos díspares que permeiam os sonhos. O que diria Froid se navegasse pela nossa mente?

Soneto ímpio

Eis este ser muito anêmico enferrujado, e até aflito; à sua curvatura eu assisto: para baixo…para cima… Seria esse o tal clima dos povos, insossos, e feridos julgando os seus espíritos pelo

Poetas não vão para o céu

Para que sentisse a simplicidade, tive de mastigar complexos sentimentos e intragáveis feridas. E assim, em estado perplexo, veio-me sua imagem bela à minha frente. Um momento de quase epifania, em que

O repetidor

Enquanto escorre a vida, apresso-me na dianteira das cenas vivas, já lidas, ah! repetição costumeira Porém, repetir até convém assim vieram os sorrisos, e as pestes, e as curas. Meus versos dizem

Meus 7 mandamentos subversivos

1) Conversar, independente de com quem, como se fosse o último diálogo; 2) sentir o beijo como se precedesse o sexo com uma viúva negra; 3) respirar o oxigênio diante da sua

Soneto de exílio

Se me isolasse de súbito, de tudo, e assim de todos achar-me-ia só, sem luto; sem o sofrimento dos povos Respiraria o ar mais denso, porém puro, de se respirar; teria meu

Pelo que somos todos réus

Estávamos dançando todos em volta do fogo que arde até que ficamos absortos pelo anúncio doutra morte Boquiabertos, estupefatos demo-nos conta outra vez que a chama tem apagos, e a vida não

Delicada Confusão

Ironia da vida, não! poeta medíocre que sou com a pena na mão escrevendo o pulsar do próprio coração ensandecido por pouco um sorriso e um olhar ah… delicada confusão da inocência

Cara ou coroa

Encontramo-nos nesta sina: os dois lados de uma moeda cuja probabilidade desatina quando você cara, e eu coroa Vil metal que me destrona sempre que penso na vitória a sua ausência me

Sentimento vagabundo

Envolvo-me de todo no instante não obstante, acerto o prumo como aquele fumo, fino e tardio têm-se eficácia, preenche o vazio abençoado fogo do isqueiro vê-se vida no final do cinzeiro Sem

Atemporal

Em ti, percebo uma junção melancólica de passado e futuro; poderias, por exemplo, ser inspiração para escribas egípcios cautelosos com suas penas e, sobretudo, com seus papiros poderias, todavia, ser o aprendizado

Meu soneto de condenado

Tais os extremos da desavença: o que meu equívoco me provocou, tornando-me sua última pressa, e a urgência que o tempo matou Sua beleza muita me dilacerava agora, eis um poeta enferrujado.

Diria eu

Que sacrilégio trouxe teu olhar sobre mim? sonhei com as nuvens, céu azul imenso e acordei na chuva, trovoadas ao relento por demais efêmero foi esse momento beatificamos juntos a contradição olhares

Existe céu no meu inferno

Seu abraço vem, embaraça, enlaça, e depois me traça delineando uma irmandade que desafia a minha idade Dancemos esta nossa dança bebamos a nossa juventude viva comigo este segundo somos nós contra

Último grito de desespero

Sento-me, mais uma vez, sozinho; acompanhado apenas pelo papel e pela escrita; empunho uma caneta, não um lápis, sem borracha, afinal não irei pecar, ou errar, ou ludibriar. O vento choca-se contra

Meu soneto invertido, perdido

Quando foi que nos perdemos? E tal tempo será que passou? Quando perdi o nosso tempo?! Agora, com ampulheta vazia, não faz sentido contar nada areia que conta minha vida Ceguei o

18 de Abril

Certa vez, andando pela rua, em pele nua despertou-me a ideia de que não estou só suscitou-me o sentimento de ser acolhido, abrangido, pelas asas de um anjo: Mãe! Mulher de atitude

Com uma alavanca, movo seu mundo

Ele falava como um grande, assim, gradioso ele era, vivia liberto das grades por quê? alforria da treva No verão, sol lindo e apino ele roubou o astro para si amou, matou,

Sucessão do tempo?

Pele alguma não se estica alguém portanto está velho mas, as rugas não são vida a vida é o próprio espelho Hoje há o exagerado reflexo das pessoas que não se vêm

Teoria da incerteza

Não existe vida sem perdas e, sem perder, não ganhei! a teoria do inevitável, ah, falha, se sem você ao lado Volto paupérrimo, e incauto com a mão no bolso vazio; tal

Agressão poética

Tarefa árdua, que me restou; minha escápula então quebra no teto alto do seus ombros tenho ainda a garra de fera Duro arranhar outro coração fiz, então, rasgar eu mesmo sou assim,

O que não tenho

Ofereço-te meus dedos pois, após tocarem pétalas sensibilidade neles há sinceridade também, talvez Ofereço-te a cor dos olhos pois, brilhantes ficaram deparando-se contigo felizes foram, talvez Ofereço-te o que não tenho se

Desabafo do meu ser

Já não há espaço para isso: ser sufocado por mim mesmo, à esmo não teria compromisso não fosse a ânsia em renascer Victor Hugo me trouxe três condições desta existência que chamam

Agora, então, o depois

Falemos sobre antes e depois; terminemos pelo emocionante, findo pelo mesmo precípicio; não irei subi-lo, ah, salta-lo-ei Sob um luar, deslizo na borda do compensado que compensa; sou essa mão então desgastada,

Primeiro o antes

Falemos sobre antes e depois; comecemos pelo emocionante, início que precede precípicio; não irei pula-lo, irei descê-lo O peito estoura com o coração que salta pela boca, que treme, e sorri junto

Versos inevitáveis

Minha agonia hoje é loira; não são assim seus fios? A saudade é de outra cor; sou camaleão da sua tez Meu próprio verso tem inveja de nós, que somos uma pele,

Um feriado no inferno

Naturalmente todos sorriem até velhos esticam as rugas enquanto jovens se entretém na vida que lhes envelhece Mas a sucessão nos apatece e herdamos até outros erros Venha, reze comigo a prece

Não sou mais poeta!

Hoje, já não sinto tal vontade de escrever com a tal lealdade; ou prescrever-lhe remédio útil; meu verso repousa em sepulcro Pronunciarei sobre você um nada; nem sobre o passado ou o

Penúrias da condenação

Bem-vindo à prosa poética do condenado. O último urro, gritado do alto da masmorra; lá, ao me recusar a trabalhar os ofícios que me propuseram, fui profissional apenas no berro cujo alfabeto

Poeta-geral do Itamaraty

Ah, são seus lábios de cor forte, cuja expressividade me acorrenta ao gosto de quem beijara a sorte arrasando-me de maneira violenta Por que deixar-se levar por brisa, diante desta tormenta implacável?

Peste medrosa

São gritos rebeldes, como peste que se espalha neste modo padrão: uma insegurança para o inseguro, uma virtude para o covarde são! Há, então, tais distintas classes: os que afugentam-se da sua

Desacato perdoado

Adormeço maculado nas trincheiras para acordar com fuzil no coração; desta guerra detenho as caveiras que gritam: “não terás a paixão!” É porque aqui já demasiado pequei, minha ressureição não aceitariam; mesmo

Minha fraca mente sadia

Talvez não seja devoto de Freud, e sim apenas filho de uma mãe, e também de um pai; eu, a prole, sem incesto sou irmão do irmão A infernal estadia é quase

Soneto das mulheres adoradas

Usarei as pás do bom português feitas da última flor do Lácio; emprego-as em um gesto cortês à Mulher a quem aqui eu afago Sinto as mãos muito esfoladas; minhas unhas são

Minha passagem pelo tribunal maldito

Há uma distância justamente necessária que me permite observar, sentir o mundo. Contudo, provém disso a injustiça de também ser o mundo; sentir a mim mesmo tanto quanto ao outro. Desse fato,

O que nem, ou talvez, Shakespeare diria

Estribo-me e me contorço nisso de achar-me sempre com você ainda que para isso seja isto: flor tardia daquele entardecer Farto céu aberto nos entrepõe como Rimbaud suscita e compõe infernos fechados

Nossos infernos celestes

Não fora possível aliernar-me pelo que me fiz compartilhável ainda assim, talvez deplorável retive-me nos seus cemitérios Demasiados túmulos neles havia nos quais busquei com paciência nas lápides nas quais se existia

A velha novidade

Faz já demasiado tempo desde que andando estou, caminho na asa do vento que o passado assoprou. Sou este pó em que piso que esvoaça como trigo; o antídoto da serpente é

Fogo azul

Moça esperta com jeito de donzela de sorriso fácil e tiara amarela enloquece, de fato, todos os rapazes ah… moça faceira, linda, festeira danças com destreza e delicadeza cabelos negros, olhos de

Na rua José Calazans

Por este exercício da boa vizinhança, enrijeço os meus músculos cardíacos; escarro mal sangue, aspiro esperança como pulmões com novos ares amigos A gargalhada desperta-me para a vida que vejo sofrida em

Conheces o Futuro?

Por ventura, conheces o futuro? sabes quais marcas virão primeiro? então… nem eu! e o acho bom desse modo, vivo por inteiro Preocupam-se muito com tudo como serás? como serei? onde estarei?

Aquele de memória curta

Bateu-se o martelo, veredicto dado o pobre coitado foi condenado, fato! nem lhe deram chance de defender-se sociedade cruel, ou cruéis advogados? Na cadeira do réu, o povo, assolado na mesa do

Meus sentidos e sua sinestesia

Usarei cinco estrofes para isso: discorrer sobre meus 5 sentidos que perturbam-se como em aviso de que sou vão sob seus sorrisos Minha visão cegou-me com gratidão foi quando, ainda que muito

Eutanásia

Ele está gritando: “quero morrer!” mas apenas deseja seu extermínio porque ser-lhe-á isso um alívio superior à morfina do entardecer Outra lágrima verspertina escorre pela face dilacerada, ou vivida; ela rega o

Fragmentos da minha vista

Urubus trazem-me ferozes migalhas pelo bico que agarra esta mortalha: humano presa do que lhe é sua caça a pólvora desta arma é o próprio Eu Gestos cálidos esvaem-se no frio da

Nova raiz

Perco-me em meio as identidades do som Berranteiro na terra seca ou do mate quente da saudade de ambas, carrego fortes amizades das quais conduzem-me a uma raiz onde tive porto, sempre

Dos meus anjos santos e demônios urbanos

Feri-me servir-lhe necessário grão da semente da qual nunca fui dono fui então patrono do seu abandono? E estou devolvendo sua propriedade? Quero dignidade. Desejo a igualdade; tiraram-me indignamente minha verdade cuja

Simples Assim

São os vivos a quem me refiro aos que queimam as mãos no fogo aos que choram lágrimas reais aos que mentem e amam demais Porque os mortos não lêem sonetos não

Ho ho ho ho

Meu 25 de Dezembro de todos os anos não lhe assopro incenso, nem ouro e conquanto faça birra para sua mirra será que este Natal é feito de sonhos? Hoje transformamo-nos em

Meus pronomes possessivos seus

Vejo você distribuida em seus olhos como quem enxerga com a intuição que haverá outros momentos nossos ainda que seja puramente diversão Encontro-me saltitando em seu redor, consigo assim roubar a sua

O conde de monte cristo

Encontro-me em meus aposentos conquanto não esteja aposentado vejo velhice em variados lados juventudes vão-se com os ventos Derivo-me sempre da necessidade de estar em ótima hospedaria desejo-lhes sopros de mocidade para

Nasce mais um papel em branco

Mais uma criança acaba de nascer mal viu a luz do dia e já chorou; é o pranto do primeiro alvorecer do cordão umbilical que se cortou Beberá ela leites ou tragédias?

Para mães ou pais

Pais, não se preocupem demais houve demasiados demais aqui foram aquis muito localizados irei globalizar nossos abraços Desejo-lhes cinco continentes e quando eu estiver deprimente por falta de mim, ou ausente, terei

O dono do Everest

Este é um momento sublime da vida dos vários declives para quem ignorei a descida e escalei inúmeros aclives Ah, venha pela minha subida; sem equipamento de proteção! suba até o cume

Meus sinceros versos excessivos

Respirei transbordo de excesso e uma overdose de ar eu senti noutro peito vi pulmão funesto de pleura frágil, como cetim Não se tratava de pouca vontade nem atmosfera de ares escassos

Indigente da força

Criamos um velho mito, antigamente, ou há pouco tempo; ele se prosperou até os dias de hoje. Diziam-nos os professores que filosofia e poesia eram literaturas a serem estudadas. Não! Eu odiava

Alguns rodeios humanos

Rodeei-me de muitas pessoas eventualmente perdi-me nisto; humanos atiçaram-me dúvidas todavia, conheci-os sem aviso Entre pulmões e respirações tive mitocondrias oxigenadas; gás de estequiometria mesclada para moléculas de bom coração! Aprendi a

Soneto fabuloso

Iremos pelas vias da fábula para que, desta maneira, ensine moral a mim mesmo; lecionarei às minhas traças Nesta vida, não se conta não se contam carneirinhos não há sustentadas folhas ventos

Moeda tardia

Os segredos queimam em fogo brando mesmo assim ouço teu sussuro faceiro escondendo sob o travesseiro, tudo por isso nada sei, talvez nem queira Espero, como falcão a beira do salto buscando

Versos autistas

Sem pódio para minha chegada às vezes julguei e estive errado como se existisse tal coisa: bom e ruim, bem e mal, conceito e indefinição! Impeli mazelas aos muito bons. Fiz algumas

E assim vai…

Enquanto guardas minha dignidade no bolso sinto o beijo da noite em minha testa seria sim uma festa, não fosse o que perdi correndo descalço na rua, quase me esqueci das flores

Soneto ao vento

De pronto, obtêm-se o fardo e na boca o mesmo amargo de outrora, exacerbado deixa as costas doentes Mesmo assim, o carrego pois, esse é meu apelo já tive fé inabalável o

Hidrolato simples

Certa vez proclamaram: “não desejes todo o mar; dele és pequena porção” Vês: tentaram me matar! Todavia, olhei para mim havia todo o necessário braços, pernas e afins nadei fundo, estupefato Detive

Do espírito das minhas leis

Eu e Montesquieu, dissidente meu de longa data, tomávamos uma cerveja, numa acalorada discussão. Ele disse que as leis derivam da natureza humana e das relações delas necessárias. Bom, virei o resto

Remetente de bom destinatário

Quero ver-lhe por inteiro; admirar suas várias faces; tendo avistado seu cabelo saberei se somos metades Para cada maravilhosa parte aplicarei distinta análise na métrica do meu método seu milímetro é-me inquieto

Fortuito incidente geológico

Deram início ao seu trabalho. Em uma noite nada hibernal pelo verão foram convocados; ato puro de consumação carnal Na alameda da estrada incerta reuniram-se amigos quadrúplos cujo ímpeto, sem escrúpulo, desnudou-se

O último baque

Fora em uma íngrime subida em que seres desfacelados foram vitimados por si mesmos; enfastiados e assinalados Nossa, que descida deplorável! Ofereci ao revés meu pranto cães e gente no mesmo quarto

Estado de Direito

Ah, confesso minha culpa use-me ao seu subterfúrgio sou do seu crime uma fuga uma vítima do seu prelúdio Você é meu último litígio não almejo reconcialiação fosse você ótimo arbítrio seria

Distante

Lágrimas são rios que cortam a alma esvaziando a nascente, gota por gota nossa cachoeira de olhos dormentes não são simplesmente correntes água por água, talvez uma outra Felizes sãos os pés

Barão de uma terra qualquer

Hoje te vi princesa de olhos verdes muito embora eu não seja permissivo, permito-me render aos teus encantos tamanha expressão brote de sua realeza Por ti, torno-me monarca de sangue azul Um

Mal estar da alma

Aqui estou, estendido no chão e, derramado sobre mim mesmo, vomito meu amor e ingratidão ácido clorídrico do advento Tremo as mãos só de pensar que onipresente e sem lugar posso morrer

Poesia rendida

Nossa, até parecia meu fim! Mas houvera, neste interím, Rezas brabas e bons desejos ressuscitei sem esbravejos Conheci a sua linda mágica: Sua Roudini do sexo oposto! que me fez da vida

Amigo tempestivo

“Na reclusão espontânea, em peregrinação aos altos montes, lá no alto, percebi que eu não voava sozinho”, assim ele enunciou, antes de compor versos… Físico das causas quânticas percebi-me em região branda

Jantar dos vivos

Sente-se na minha mesa nós esfomeados seremos aqui não há sobremesa jantaremos nós mesmos Vou falecer sem padecer e, depois disso, oferecer um pedacinho do meu eu que hesita em ser só

Altos pássaros

Apoio-me hoje no vácuo deles os grandes pássaros de rapina que me informam, nesta lida, que posso ser um dentre eles Daqui de cima está tudo certo exceto que está tudo errado!

Siameses distintos

Irmão meu de ótima prole nasci no âmago do seu ventre não fosse a parte materna que, terna, concebeu-lhe Guardei, dentre as palavras, as melhores para você fraternidade bem lavrada que me

Eu explodo, tu explodes

Fui católico apostólico e… não, não fui romano ainda que eu seja clássico e reaveja hábitos tácitos Você já explodiu? Explodir não se conjuga, ao menos em primeira pessoa mas, se eu

O homem inflamável

“Tirem-no de lá!”, gritaram ele queima na chama, no fogo pulou em fogueira de má lenha alegando o desejo de labareda ateou seu sangue, crime doloso no entanto, ele já preconizara que

A boa desorientação do sentido

Desejo ser setes longos dias para ter semanas como amante e se eu morrer nessas agonias agoniei-me de vidas errantes Eis que lhe digo: não se engane sou seu quebra-cabeça insolúvel com

Pneumonia do amor

Foram dois inflamados pulmões dos quais só um deles curei doei o bom às minhas paixões e com elas, portanto, respirei Do sepulcro fiz ressuscitação risquei o epitáfio com graveto fosse eu

Dos raros nós de boa amarra

Navegante como grandes barcos a amizade é a nudez da verdade se despida da roupa dos falsos, nada fluente na caudalosidade Enuncio o nó da má relação que sucumbe às chuvas e

Poesia para mulheres inventadas

Assentado em bom assento digo que estou estupefato beleza que me furta o tato e me faz assim: sem alento Passe mulher desconhecida e conheça minha percepção antes de ser minha doutrina

A ingenuidade da paixão

Ali, parados na esquina eles tocam-se com afago apaixonam-se pela rotina do cotidiano acompanhado Gestos tolos e infantis escorrem por quatro braços de quatro abraços varonis; paixão dúctil como aço! Silenciosamente as

Atravessadores da humanidade

Homens de rosto esplêndido de etnias diversas e imensas fazem-me ver um compêndio de vidas deverás terrenas Atravessados por alguma luz são prismas de várias faces em cada reflexo vejo jus ao

Das culturas antiquadas

No vale dos inférteis, lá perambulo Observo culturas sésseis fixas e sem futuro São assim os habitantes da terra da infertilidade: fecundam o passado, são passivos no presente; não engendram, são perenes,

Médico de minhas entranhas

A sensibilidade de suas mãos purifica infecção de ferimento ela coagula a vida dos sãos, e brinda os pulmões com alento Medicina de câncer remissivo remove tumores com austeridade e, excelente curadora

Um novo cardume sem peixes

Em um inferno aquecido Hades há de lhe aquecer irá retirar todo o frio do coração no alvorecer Um crepúsculo rebaixado de um sol sem hidrogênio desaparecerá no planalto, assolará 1000 num

Semi-deuses da vaidade

Na disputa travada entre Atenas e Perséfones pelo belo Adônis, este foi preferido e preferiu Atenas à esposa de Hades, deus do submundo. Mas, espera aí, tudo isso foi por…beleza? Foi sim.

O homem das várias línguas

Em um dia afônico acordei mudo estava impossibilitado de falar e a partir desse sentido nulo pude fortuitamente me deseducar Desvanecido da minha educação reeduquei-me por cinco vezes fui aprendiz, pela conjunção,

A tua vida

Ninguém verá você chorar então abandona-te em força toma teu fardo e fica em pé em posição de quem vence Não quero saber dos teus medos nem desvendar teus segredos já tenho

Dois vértices sem aresta

Meu filho onde você está? Vemos seu quarto vazio e sua cama muito arrumada a janela está aberta e nosso coração sente frio A magoa que nos foi oferecida sempre como pais

Matéria de capa

Em um noticiário sem jornal noticiaram fato escabroso que explano a você como tal: o presidente, ontem, foi morto Ora, assumiu o vice a gestão segundo poder de consolo tirou poeira da

Dos politizados conflitos

Entremos agora meus irmãos estou na sinagoga dos vis só boas vistas enxergarão claridade da minha diretriz A política emana a guerra a guerra é surtida pelo humano homo sapies que é

Baile de máscaras

Pela persona oriunda do latim não aceito ser apenas máscara atores de atuação sem fim somos assim de rosto sem farda Minha máscara não sei como é talvez latim vulgar bem dito

Honrada patente

Na divisão de pára-quedistas: “Estou presente, senhor!” “Irei saltar das alturas, senhor!” “Altitudes conquistar, senhor!” Vivenciou o salto da conquista apedrejou o medo que lhe roía e deu às pessoas uma boa

Salteador de valores

Nesta terra de tez assolada vi gigantes ficarem pequenos houve pele jovem e enrugada vi anões de grande sentimento Encostei a cabeço em seu peito e senti o todo do seu alento

Coração sem pátria

Apenas um caixeiro viajante vagava pelas ruas insólitas mas era andarilho cativante bandeirante de boas solas Nômade de precisas 27 viagens seu coração perdeu umidade não afugentava mais as verdades inceneradas em

Soneto da mulher elogiada

Desejando justificar seus traços vejo no princípio sincera silhueta ela não mente, e me atormenta seduz-me contundente como fato Se a beleza depende de quem vê sou um observador privilegiado subiria no

Reficofage

Nascido há 10 mil anos após uma dezena de milênios absteve-se do lado humano e disse aos decênios: “Sou símio dito inteligente ainda que não seja regra adoto sabedoria convincente. Sou bípede

Quilombo da criatividade

Imagine um mundo sem salas sem cadeiras, sem grades Não há telhados e calhas nem paredes, nem traves Neste universo de nada aparentemente desamparado a criatividade se exalta liberta-se do regime fechado

Conhecimento hipotético e pensado

O que seria nosso conhecimento? Relaciona-se ele ao pensamento? Respondamos essas duas questões. Percorramos meu vão entendimento. Os dois nascem do muito incerto, e são rios de afluentes divergentes no entanto, ambos

Olho do furacão

As vezes é bem no olho do furacão que fica a calmaria e a procura incessante pelas respostas de uma vida aparecem, sisplesmente, na esquina, na mesa do bar Se formos um

Sobre o acolhimento e o amor

Lobo vagante coletivo contudo ainda sozinho vaga em meio a alcateia e só se sente acolhido vagando para uma plateia Hipócrita é o saciado que diz a si próprio em tudo já

Velório solene

Hoje acendeu-se uma vela cuja chama assim ilumina parte pequena do grande caixão eis o que ocorreu: faleceu a civilização Enterramos vários de nossos hábitos habitamos, e somos pragmáticos, a terra dos

Recorrente

Ao fim do sonho fica a saudade como é triste voltar a realidade novamente noto-me só e na garganta aquele mesmo nó O que fizemos de errado? quando mesmo a deixei de

Dama da noite

Quanto custam suas palavras? Meu amor é inflacionado. Minha raiva um déficit. Minha avareza só desprezo. Sua presença é inestimável. Seu beijo é incomensurável. Suas manias são pequenas. Mas, em você, tudo