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XC – Soneto dos noventa dias

Sempre que estive morto, ao abrir os olhos, O precipício era o que me trazia esperança, À desaparecer todos os pesados desconsolos Que faziam cruzar as mãos de sua lembrança. Um mundo

Servir-me fui, quando sentei, você não estava mais

  Vi-lhe num susto, assim, de abrupto, E na obra de arte fiz-lhe analogia; Como um entusiasta que a tela admira Sabendo que ali eterno é o segundo. Mas diante do quadro

Soneto às claras

Seus versos vestem-se doutra estética de uma brevidade íntima, mas profunda como se minha percepção fosse astuta por vestir-se agora com a sua dialética O flagelo do mártir é mais dolorido mas

Soneto de exílio

Se me isolasse de súbito, de tudo, e assim de todos achar-me-ia só, sem luto; sem o sofrimento dos povos Respiraria o ar mais denso, porém puro, de se respirar; teria meu

Meu soneto de condenado

Tais os extremos da desavença: o que meu equívoco me provocou, tornando-me sua última pressa, e a urgência que o tempo matou Sua beleza muita me dilacerava agora, eis um poeta enferrujado.

Soneto da mulher elogiada

Desejando justificar seus traços vejo no princípio sincera silhueta ela não mente, e me atormenta seduz-me contundente como fato Se a beleza depende de quem vê sou um observador privilegiado subiria no

Soneto para as moscas

Os homens de maioria venenosa distribuem seu veneno em frasco não por terem índole maliciosa só não querem sozinhos morrer Se dizem povo, se dizem Estado não compreendem a controvérsia um é

Soneto dos pensadores infiéis

Cidadão registrado em cartório oficiliaza, como gente, sua respaldada e fixa profissão profissionaliza a não reflexão Homens de restrito pensamento envelhecem, envelhecem, envelhecem são velhacos até no nascimento conforto moderno que os