Tag Archives: morte

XC – Soneto dos noventa dias

Sempre que estive morto, ao abrir os olhos, O precipício era o que me trazia esperança, À desaparecer todos os pesados desconsolos Que faziam cruzar as mãos de sua lembrança. Um mundo

Fiat Lux

Sendo, para o homem contido e inerte em sua sociedade, confraria, clã, comunidade, ou organismo — como se queira chamar um palito de fósforo numa caixa de outros milhares de palitos similares,

Na fila de espera

Lembro-me de sua perna direita menor que a esquerda. Mas ainda assim não mancava. Abria o portão todos os dias para os transeutes do condomínio. Nunca tive apreço maior ou menor por

Olhos envidraçados

Meu grito tem se transformado num sussurro. Posso me comunicar com todas as instâncias desse modo, ao mesmo tempo em que escuto minha própria voz. Meu pensamento é meu castiçal com muitas

Diário lúcido de uma alma embriagada

Sento-me aqui para escrever o relato mais sincero possível. Irei esclarecer todas as partes ocultas pela neblina da negligência. E trago-me como personagem fictício, senão humano. Comecemos, desse modo, pelos pudores vistos

Os jardins jamais falecem

Os jardins etéreos repousam ao fundo no cenário traiçoeiro do verossímil; ainda que tente enganar-me o futuro entre quais flores far-me-ei visível Houve já muito grosso sangue jorrado pela ferida pelo acúleo

O parto

Estavam no campo, cinco horas distantes da cidade, e do posto médico mais próximo. Escurecia. E o vento quase noturno atravessava com força as árvores que rodeavam a fazenda. O lugar era

Médico de minhas entranhas

A sensibilidade de suas mãos purifica infecção de ferimento ela coagula a vida dos sãos, e brinda os pulmões com alento Medicina de câncer remissivo remove tumores com austeridade e, excelente curadora

O casebre

A casa não era muito grande. Quadrada, tinha sua largura e comprimento curtos. Longas ripas de madeira revestiam suas paredes. Madeira velha, degenerada pela força do tempo, que há muito costumava bater

Missa de sétimo dia

Vida volátil, findável passível de violação decisão ausente de opção No caixão dos grandes há corpo falecido porém cercado por flores de jardins que acalmam; flores que nunca desbotam Tudo padece, a