O que Einstein nunca enunciou

Resolvi hoje testar as teorias físicas, algumas delas. Desafio primeiramente as ondas sonoras. Senti elas, agora mesmo, tão fracas. Repercutiam o som de corações alvoraçados, até o momento em que foram interrompidas por meros obstáculos de concreto. Em seguida, liguei a luz. Presenciei o sol inventado pelo homem, e vi que essa luz também tinha sua limitação.

A voz humana encontra limite na mesma condição em que a luz é parcialmente interrompida pelo obstáculo. Assim como as batidas do coração são audíveis apenas no raio limitado de quem ama ao redor. Se a poesia ou a literatura procurasse paralelos no universo físico, encontrar-nos-iam nos espelhos que repercutem o que vem do alto, do céu, das paredes do coração.

Se a abóboda celeste ilumina os oceanos, em que barcos pescadores buscam os peixes das almas, talvez haja esperança para os peixes habitantes nas mais baixas profundidades. Os criminosos. Os delinquentes. Os algozes da sociedade. Os afogados que afogam. Ou mera utopia para a salvação destes; não fôssemos nós todos criminosos, delinquentes, e algozes.

A orquestra dos astros determina nossa gravidade. E grave estamos nos atraindo para a Terra, ou para a terra, ou para o pó, a areia da qual viemos. A vida aproxima-nos da morte. E o sorriso habita nosso enterro que, longe de ser o fim, é a teoria da física que mais se aproxima da nossa existência.

As políticas, economias, sociologias, teoremas, adágios, corolários todos nos confirmam a explicação do nada. A biologia das traças, no entanto, fomenta a evolução dos amores. E saibam o porquê: a necessidade de preservação da vida faz-nos relacionar, beijar os lábios do desejo, e finalmente nos amar mesmo sabendo do fim. Eis descritos os pressupostos do nunca findo argumento dos olhos que se fecham, inevitavelmente.

Autor: Lucas Vinícius da Rosa

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