Meras variáveis

Houve lágrimas e medo no lugar do habitual sorriso. E o lindo rosto de outrora, agora noutro sentimento seco de abismo, debatia-se sobre solo tardio. Haveria literatura dessa forma? por certo que sim, responderiam os literatos. Afinal, só escrevem os amam, só tocam os que escutam, só acertam os que erram e só chegam em algum lugar aqueles que caminham. Sobretudo, se for possível escrever com passos uma partitura que possa ser executada pela mais bela orquestra. Alguns sentimentos foram fadados a eternidade da nossa consciência, fato. Outros, por sua vez, merecem ser defenestrados do prédio mais alto, da cidade mais alta, do universo mais distante, para termos certeza de que não voltem a sua origem. Viver nunca foi e afortunadamente nunca será um equação linear, então, para que preocuparmo-nos tanto com meras variáveis?

Autor: Armindo Guerra Jr.

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