Marcações perpétuas

Bau

Tatuei todos os seus segredos em minha pele, para que, em frente ao espelho, fossem eles refletidos como uma lembrança em carne viva que anseia surgir pelas manhãs e ser julgada antes do adormecer da consciência num travesseiro de pesadas plumas. Sigilosas figuras aos outros, a mim me parecem febris lembranças de tudo experimentado intensamente nesta vida, sendo isto o que unicamente se releva em meio ao absurdo de viver, revolvendo-me dos esqueletos do passado para o futuro sem poupar o fôlego do presente inquieto.

E o êxtase de cada instante é justamente um novo desenho a ser traçado em inédito espaço em branco, ainda que com as linhas invisíveis que divisam sorrisos secretos; como se para que os ossos não fossem estrangulados, o corpo necessitasse muito se alongar, de modo a abrir mais diâmetro na tela ao quadro dos registros escondidos, os quais os outros marcam com ardência irrevogável com pontiagudas agulhas em nós, mas apenas nós mesmos sabemos o que podem significar, sendo rastros impossíveis de serem apagados, todavia aos olhos alheios, com outro valor, sempre expostos sem darem o verdadeiro significado.

Autor: Lucas Vinícius da Rosa

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