Você tem um cigarro?

 

A perplexidade da sua presença contunde, implacável, minha paciência; como o desconhecido teme o belo, e o artista acovarda os olhos, mas jamais o ímpeto árduo do, e por você súbito, coração que se estrangula sem saber. Sou ousado em desejar lhe conhecer, sendo para isso crédulo até de olhos cerrados. Quantos sentidos pelos quais tive de mentir, ao preço da calúnia do meu ar, e de minhas mãos? Agora sei que, sob sua visão esplêndida, embora a interpretação mais verdadeira seja imperfeita, apalpei o que antes não senti; e depois solicitei: você tem um cigarro? Traguei-o então uma vez, ainda que pelo momento mais temporário, ciente inclusive de que poderia acabar, posto que é chama.

Autor: Lucas Vinícius da Rosa.

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