A idade sem números

Suas rugas expeliam sua juventude
todo dia, acreditava sempre acordar
mas se recordou, e assim recuou
notando que somente se acorda uma vez
porque só se nasce também uma vez

Envelhecido de juventude, sem sexo
fez aparecer rejuvenescimento sem nexo
bebeu da água da fonte da jovialidade
fonte que irrigava tudo menos vaidade

Velhinha, velhinho, corpo idoso
arrastava seus pés, enquanto corria com sabedoria
sabendo que, por certo, sua mais-valia
valia pouco, contudo mais que podia

Ah, como fora bom presenciar a mundança dos regimes
espelhada no excesso de pele que define…
define pensamento, não idade, explica saudade

A vida não é uma eutanásia necessária
Ninguém precisa desligar os aparelhos em represália
Só se precisa conservar a idade
Ela é hemodiálise
Sua idade, sua renovação, é sua ruga de expressão
É seu conhecimento em vastidão, mas, apenas,
se sua vida não foi em vão.

Autor: Lucas Vinícius da Rosa

3 Responses to A idade sem números

  1. claudionor disse:

    o tempo não tem tramela,
    a vida se mede pelo bater do coração,
    a morte nunca foi bela,
    mas por ela todos parssrão.

  2. Gilba disse:

    Parabéns menino!
    Como é bom ler coisas belas e inteligentes.
    Continue! eu agradeço.
    bjs.

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